Era uma vez, há muito tempo, um casal feliz, Antonio e Maria, com dois filhos chamados João e Lúcia. Para entender a felicidade deles, é preciso retroceder àquele tempo. Cada pessoa, quando nascia, ganhava um saquinho de carinhos. Sempre que uma pessoa punha a mão no saquinho podia tirar um tirar um Carinho Quente. Os Carinhos Quentes faziam as pessoas sentirem-se quentes e aconchegantes, cheias de carinho. As pessoas que não recebiam Carinhos Quentes expunham-se ao perigo de pegar uma doença nas costas que as faziam murchar e morrer. Era facil receber Carinhos Quentes. Sempre que alguém os queria, bastava pedi-los. Colocando-se a mão na sacolinha surgia do tamanho da mão de um criança. Ao vir à luz o carinho se expandia e se transformava num grande Carinho Quente que podia ser colocado no ombro, na cabeça, no colo da pessoa. Então, misturava-se com a pele e a pessoa se sentia toda bem. 
Depois disso, todos começaram a economizar carinhos. Todos os adultos e até as crianças com o tempo. Todos ficaram cada vez mais mesquinhos. Assim, a bruxa inventou os Espinhos Frios.

Os Espinhos Frios faziam as pessoas sentirem-se mais frias e espetadas, porém evitava que murchassem.
Daí para frente, sempre que alguem dizia: Eu quero um Carinho Quente. As pessoas respondiam.: " Eu não posso lhe dar um Carinho Quente, mas se você quiser posso lhe dar um Espinho Frio."
Assim, todos pararam de dar carinhos.
Não faz muito tempo uma mulher especial chegou ao lugar. Ela nunca tinha ouvido falar da bruxa e não se preocupva em dar seus carinhos. Ela os dava de graça, mesmo quando não eram pedidos. As pessoas começaram a chamá-lá de Pessoa Especial.
Muitos ficaram preocupados com essa mulher. Fizeram uma lei, e esta lei dizia que era um crime distribuir carinhos sem uma licença. Muitas crianças, porém, apesar da lei, continuavam a trocar carinhos sempre que tinham vontade ou lhe pediam. Como existiam muitas crianças parece que conseguiram seguir seu caminho. Contudo, alguns outros ficaram para trás, murchando aos poucos com seus Espinhos Frios.
Será mesmo que um conto está longe da realidade?
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