
"Sempre odiei hospitais. E agora os odiava mais ainda.
Andava pelos corredores do hospital indo de encontro ao inevitável. Minha mãe segurava minha mão forte. De alguma forma, ela sabia que caso soltasse eu sairia correndo dali mesmo. É, sou uma covarde! E mutiplicaria por dez essa covardia para poder fugir de tudo.
Não sei quando paramos. Só sei que meu corpo entorpecido notou uma grande porta branca. Eu ri, percebi que ela abria para dentro. Eu ri. Simplesmente ri do fato de ter percebido que ela abria para frente. Contudo, isso não era apenas mais um fato para me enganar?
A porta abriu.
Diante de mim minha vida estava em chamas. Meu corpo se consumiu junto aquilo que estava em minha frente.
Só pude chorar. Inutilmente só pude chorar.
Aqueles imensos olhos castanhos agora mostrava um opaco sem vida.
Não sabia quem estava no quarto, mas pude ouvir alguém relatar.
'Ele não pode mais falar. A visão também está quase toda comprometida...'
- Eu te amo! - Falei em um tom alto. Os burburinhos da sala se calaram. - Eu te amo! Eu te amo! - repeti e repeti. Duas, quatro, oito, o tanto que meu folego permitiu.
Será que alguma vez nessa minha vida eu disse que o amava?
Será que alguma vez meu coração realmente necessitou dizer isso com tanto fervor a ponto de querer me unir com apenas essas tres palavras?
Eu agora... Eu nunca mais...
- Eu te amo! - Gritei!
Minha mãe me segurou pelos ombros. Eu segura a mão da pessoa que eu amava deitada sobre a cama.
- Eu te amo!
Agora, eu nunca mais poderia ouvir o eu te amo. Nunca mais ouviria seu timbre. Nunca mais meu nome seria dito...
Então... Ele sorriu para mim...
Um fino risco formou seus lábios. Algumas lágrimas correram por sua face.
Um sorriso alegre, lágrimas que não mostravam tristeza.
Aquelas eram suas palavras. Suas utimas palavras para mim.
Aquelas, foram as minhas ultimas palavras de amor de toda uma vida..."
Marcos Vinicius de Carvalho, Sangue Branco, Capitulo 23.
Andava pelos corredores do hospital indo de encontro ao inevitável. Minha mãe segurava minha mão forte. De alguma forma, ela sabia que caso soltasse eu sairia correndo dali mesmo. É, sou uma covarde! E mutiplicaria por dez essa covardia para poder fugir de tudo.
Não sei quando paramos. Só sei que meu corpo entorpecido notou uma grande porta branca. Eu ri, percebi que ela abria para dentro. Eu ri. Simplesmente ri do fato de ter percebido que ela abria para frente. Contudo, isso não era apenas mais um fato para me enganar?
A porta abriu.
Diante de mim minha vida estava em chamas. Meu corpo se consumiu junto aquilo que estava em minha frente.

Só pude chorar. Inutilmente só pude chorar.
Aqueles imensos olhos castanhos agora mostrava um opaco sem vida.
Não sabia quem estava no quarto, mas pude ouvir alguém relatar.
'Ele não pode mais falar. A visão também está quase toda comprometida...'
- Eu te amo! - Falei em um tom alto. Os burburinhos da sala se calaram. - Eu te amo! Eu te amo! - repeti e repeti. Duas, quatro, oito, o tanto que meu folego permitiu.
Será que alguma vez nessa minha vida eu disse que o amava?
Será que alguma vez meu coração realmente necessitou dizer isso com tanto fervor a ponto de querer me unir com apenas essas tres palavras?
Eu agora... Eu nunca mais...
- Eu te amo! - Gritei!
Minha mãe me segurou pelos ombros. Eu segura a mão da pessoa que eu amava deitada sobre a cama.
- Eu te amo!
Agora, eu nunca mais poderia ouvir o eu te amo. Nunca mais ouviria seu timbre. Nunca mais meu nome seria dito...
Então... Ele sorriu para mim...
Um fino risco formou seus lábios. Algumas lágrimas correram por sua face.
Um sorriso alegre, lágrimas que não mostravam tristeza.
Aquelas eram suas palavras. Suas utimas palavras para mim.
Aquelas, foram as minhas ultimas palavras de amor de toda uma vida..."
1 comentários:
Tô ansiosa pra ler esse livro .-.
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