
O telefonema
Eu: Alô.
Ela: Clarinha? É você?
Eu: Sim, quem está falando?
Ela: Sou eu, Ana.
Eu: ( Muda de pânico: as marés montantes do passado. Por quê? )
Ela: Clarinha? Você está me escutando? Você está bem, Clarinha?
Eu: Acho que sim. ( Tua voz continua melodiosa. A benção da tua voz )
Ela: Queria te ver, saudades. Estou aqui por uns dias.
Eu: Por quanto tempo você vai ficar? ( Me diz que é para sempre! )
Ela: Uma semana.
Eu: Ah, uma semana... ( Sete dias. O que são sete dias? )
Ela: Clara, então podemos nos ver?
Eu: Sim, claro, precisamos nos ver. ( E o que o tempo terá feito em nós? )
Ela: Clara, você se casou?
Eu: Sim. ( O que eu poderia ter feito? Tanto tempo minha amiga. )
Ela: Seu irmão me deu o numero de sua casa nova.
Eu: Sei. ( E o que devo te dizer agora? Medo, Ana, tanto medo. )
Ela: Então nos encontramos amanha?
Eu: Claro. ( Impossível conviver com isto, com o medo, Ana. )
Ela: Amanhã, no final da tarde?
Eu: Está bem, depois do trabalho. ( Agora, quero te ver agora. )
Ela:Amanhã, então? Estou na casa dos meus pais.
Eu: Amanha, perto das seis horas ( Me pede que vou correndo agora. )
Ela: Um beijo, então. Até amanhã
Eu: Outro ( Outros. )
Cintia Moscovich, duas iguais.
Os caminhos de todos os amantes são sempre traçados de tantos momentos, pelo viver, pelo tempo... Sim, o tempo. O pior de todos. Como disse Cintia, o tempo é aquela que faz a ferrugem. A que deixa a marca escura na alma como uma cicatriz que toda as noites volta a doer.
Como falar com a pessoa que ama e não poder toca-la?
Sempre vendo-a atravez de códigos binários ou apenas a ouvindo por uma linha de elétrons?
As vezes a pessoa se parece como um sonho. Você a vê por um instante, mas no piscar dos olhos, em apenas uma fração de segundo ela não está mais. A voz melodiosa!
Sei que não posso vê-la amanha, e nem depois e quem sabe quando poderei vê-la. Sei que ainda está muito longe para o meu final feliz, mas de alguma forma a combinação binária e a linha que os eletrons passa nos assegura que podemos ter uma chance.
Durmo, agora acreditando que podemos nos ver amanha. ( Me pede que vou correndo agora )
Como falar com a pessoa que ama e não poder toca-la?
Sempre vendo-a atravez de códigos binários ou apenas a ouvindo por uma linha de elétrons?
As vezes a pessoa se parece como um sonho. Você a vê por um instante, mas no piscar dos olhos, em apenas uma fração de segundo ela não está mais. A voz melodiosa!
Sei que não posso vê-la amanha, e nem depois e quem sabe quando poderei vê-la. Sei que ainda está muito longe para o meu final feliz, mas de alguma forma a combinação binária e a linha que os eletrons passa nos assegura que podemos ter uma chance.
Durmo, agora acreditando que podemos nos ver amanha. ( Me pede que vou correndo agora )
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